OPINIÃO: SOBRE O AMOR A JUAZEIRO, JOÃO GILBERTO E NOSSA ALMA


Foto: Arquivo Pessoal

CLÉRISTON ANDRADE*

Ontem tive que ler alguém dizendo que “Juazeiro nunca homenageou João Gilberto”, mesmo que esta pessoa aparentemente more na cidade com um Centro de Cultura em seu nome, na qual uma escultura tenha sido confeccionada em sua homenagem e cujo slogan adotado pela prefeitura é “capital mundial da bossa nova”.

O irônico é que tal crítica parta de alguém que, quando a escultura foi feita, tenha gritado contra o “gasto público” com a homenagem…

É preciso dizer também: neste mês de aniversário de Juazeiro, a programação, feita há 20 dias, já trazia dois eventos que reverenciam vida e obra de João – uma exposição, dia 12, e um show, dia 14.

Mais ainda. É preciso lembrar que, quando a Secretaria de Cultura mudou para a casa onde ele morou, um propósito já havia sido anunciado para a família – o local será transformado em Memorial da Bossa Nova.

Em 2011, o aniversário de 80 anos de João Gilberto foi comemorado com um festival. João Bosco veio aqui render honras ao mestre. Em 2015, sua ex-esposa, Miúcha, cantou às margens do Velho Chico.

Aqui se cultivou a lenda de que o genial juazeirense não gostava da sua cidade natal, ainda que isto tenha sido desmentido diversas vezes por amigos e familiares. Homem de personalidade introspectiva, o artista optou por uma vida reclusa e, assim, de forma serena, resolveu viver seus últimos dias.

Temos a mania de querer moldar personalidades para que elas se comportem de acordo com nossos gostos. Na arte, esta é uma grande tentação para quem resolve se “vender” como um produto. Não era o caso do gênio que aqui nasceu.

É conhecida a história de que João visitava a cidade sempre à noite, saía por suas ruas e relembrava sua infância da forma que preferia fazer. O seu jeito de gostar não precisava de propaganda, autopromoção.

Os que cobram amor pela cidade de um artista que ganhou o mundo, vejam vocês, vivem atacando-a, comparando-a sempre no sentido de rebaixá-la e procurando minar a autoestima da nossa gente. Mas a alma de Juazeiro é maior. Ela resiste aos de mente pequena.

Deste solo fértil, brotam talentos incomparáveis. Como um bom amigo me lembrou:

“No último domingo, na final da Copa América, os olhos do mundo assistiram a um minuto de silêncio encerrado por aplausos que reverenciaram João Gilberto, contemplaram Daniel Alves erguendo a taça e nossos ouvidos escutaram o Maracanã cantar “festa na favela”, um cântico dos estádios que parodia “Festa”, de Ivete Sangalo, na comemoração da conquista.

Qual a outra cidade de 200 mil habitantes, no mundo, poderia se orgulhar das mesmas coisas? Só nós temos esta honra. Pense bem. Só nós.

Juazeiro nos dá muitos motivos para amá-la. É só querer retribuir.

(*) Pedagogo

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